10 outubro 2010

cuidado



Cuidado. Quando se ama, a queda é enorme.
Quando se ama, se está nas nuvens, no alto, num lugar completamente fora daqui, fora da loucura, fora do caos, fora de tudo. Quando se ama se sorri por nada, se chora por tudo. Quando se ama, as cores são mais coloridas; o cinza é azul, vinho, roxo, amarelo...
Quando se ama, a música tem mais melodias, mais notas, mais harmonia. Quando se ama, os cheiros são mais fortes. Quando se ama, é como se todos os sentidos se intensificam, tudo fica maior, melhor. Quando se ama, não se diz não, a vida é um grande SIM para tudo. Até para a dor.
Cuidado. Quando se ama, a queda é enorme. Já me diziam. E eu não acreditei.


p.s: so if you mean it, i´m letting you go... i´m missing you so...

25 agosto 2010

dreamer


Estou dirigindo no escuro, à noite, e chove. Meu estômago está cheio de pequenas borboletas coloridas querendo sair pela boca cada vez que tento pronunciar o teu nome. E eu tento. E eu tento.
Sorrio ao lembrar do teu sorriso, e fecho os olhos para não esquecer de cada centímetro da tua boca e como aparecem as covinhas na tua bochecha. Ainda estou dirigindo, mas não vejo a rua, a estrada. És tu quem eu vejo. E os teus olhos que sorriem quando sorris. E as covinhas.
De repente estou parada numa sala grande, tão vazia de gente e de objetos. O teto é alto demais mas através dele consigo ver as estrelas. E chove mas não há nuvens. E a lua... Ah! A lua. E sorrio. Sei que estás ai. Então sorrio.
E antes de perceber estou te abraçando. Teu corpo no meu. E estamos dançando ao som de alguma música que não reconheço mas é linda, é linda. Diz algo assim como “...and my heart is beating next to yours and my hands are holding yours and you and I are one you and I just you and I…”. E estamos dançando enquanto os teus lábios encontram os meus no meio da chuva, das estrelas, da lua.
Por um minuto sinto todas as borboletas coloridas fugindo desesperadamente pela minha boca e quando percebo, elas estão dançando junto a nós e tu sorris, e eu sorrio e não estamos mais na sala grande tão vazia de gente e de objetos, estamos num parque. Há árvores e flores e nossos pés descalços sentindo a grama molhada pela chuva que não cai mais. E nesse momento estamos deitadas na grama. A tua mão encosta na minha mão e sinto mais borboletas coloridas no estômago querendo fugir. De onde saem tantas borboletas?! E te beijo. E te beijo. E me olhas e sorris com os olhos e as covinhas. E eu sorrio e tento fotografar com a minha mente esse momento. Este momento. Maravilhoso assim. Perfeito assim. Não, não me acordem agora. Não quero acordar. É perfeito assim como está. Não me tirem daqui, ainda não consegui dizer o seu nome. Como era o seu sorriso? E as covinhas? E os olhos que sorriem? Cadê as borboletas coloridas? “you and I just you and I”.
Acordo sorrindo.
Até o próximo sonho.



p.s: I will wait for you tonight … I will waste another dream on you

20 agosto 2010

eu te odeio


Eu te odeio. Te odeio toda. Da ponta dos teus cabelos até a unha do pé. Odeio como olhas atrás das lentes desses óculos. Odeio teus olhos cor de amêndoa. Odeio o teu cheiro de pêssego misturado com jasmim. Odeio o teu sorriso de criança. Odeio como choras todas as vezes vendo o mesmo filme. Odeio como cantas e como tocas o violão. Odeio a tua maneira de sentar na frente do computador enquanto trabalhas. Odeio tuas mãos suaves. Odeio a curva que faz na tua cintura. Odeio como nunca penteias o teu cabelo. Odeio o teu furo no queixo e como ele parece se mostrar mais quando sorris. Odeio todos os sanduíches que fizeste para mim quando voltava do trabalho cansada. Odeio quando deitavas a cabeça no meu ombro e adormecias assim, tranqüila, delicada. Odeio quando seguravas a minha mão embaixo da mesa, e como tuas pernas entrelaçavam nas minhas ao dormir. Odeio como o teu corpo sempre encaixou perfeitamente no meu. Odeio todos os apelidos que me deste e odeio todos aqueles que me lembram a você. Odeio ouvir o teu nome, mesmo não sendo o teu. Odeio ouvir todas aquelas músicas e assistir todos aqueles filmes. Odeio sentir a brisa de uma tardezinha em Teresópolis e o teu cheiro aparecer assim, do nada. Odeio lembrar de ti. Odeio lembrar de ti. Odeio.


Eu te odeio. Sim, eu te odeio. Como quem odeia aquilo que mais o feriu. Te odeio como se odeia o frio num dia de praia. Te odeio como se odeia a luz quando se quer dormir. Te odeio como se odeiam todos os filmes de Natal. Te odeio como se odeia o horário político. Eu te odeio.

Odeio não conseguir esquecer o teu abraço às noites. Odeio querer a tua presença cada dia. Odeio não poder ligar e dizer “estou com saudades”. Odeio não saber da tua vida. Odeio que não ligues para a minha. Odeio saber que és feliz. Sim, odeio saber que és feliz sem mim. Odeio os teus projetos, os teus trabalhos, os teus amigos. Odeio a cidade onde moras, odeio a tua casa. Odeio as fotografias. As tuas. Odeio como todo mundo parece te amar. Odeio que te amem. Odeio ser lembrada a cada momento de como a nossa vida era perfeita. Odeio a cama que dividimos. Odeio o quarto que ficou vazio. Odeio o som do ventilador. Odeio as tuas roupas que ainda estão comigo. Odeio não ter forças para devolvê-las. Odeio as cartas que me enviaste. Odeio lê-las e não ter coragem de jogá-las fora. Odeio não querer jogar nada fora. Odeio não te esquecer. Odeio não te esquecer. Odeio não te esquecer.


Odeio te querer. Odeio te precisar. Odeio te amar. Odeio não te ter mais. Odeio os dias vazios. Odeio o abraço perdido. Odeio o beijo não dado.
Eu te odeio.



p.s: I need you to need me… then love until we bleed… then fall apart in parts…

07 agosto 2010

faláncia


Ok. Estou indo embora. Não precisas nem te levantar da cama. Faço a minha mala, e desapareço da tua frente, assim, como por ato de mágica, como a fumaça do cigarro que agora fumas completamente inconsciente do que acontece. Ok. É assim que queres, é assim que é.
Estou indo embora, e não há nada que possas dizer que me faça mudar de idéia. Cheguei ao meu limite, passamos dos limites de qualquer coisa, de qualquer um, e não há nada mais a ser feito. Não me queres aqui, não me quero aqui. Esse teu ar de indiferença não me afeta mais.
Estou indo embora, ouvistes? Não me peças agora, eu não fico. Ok. Finge que não ouves, finge que não te importas. Continua a fumar teus cigarros que eu vou embora. Saio pela porta e não me verás mais. Estás ouvindo? Não me verás mais.
Estou indo embora agora. Será que pela primeira vez na tua vidinha podes me ouvir? Será que pela primeira vez nessa nossa existência fajuta podes te importar? Nem que seja só um pouquinho? EU-ESTOU-INDO-EMBORA. Ouves?
Já fiz a minha mala, vês? Estou abrindo a porta. Agora a porta está aberta e eu estou indo embora. O que achas disso? E se dou um passo para fora deste apartamento não volto mais. É isso que queres? É isso que realmente queres? Estou indo embora. Te afeta?
Olha, estou indo embora, por que não vens me deter? Se vou embora agora é para sempre. Para sempre é tempo demais, sabes?
Então, estou indo embora agora.
Mas se me chamas de volta, eu volto.



p.s: don´t you let me go, let me go tonight

05 julho 2010

empty bed



A cama vazia. O travesseiro ainda quente e com a forma de uma cabeça que passou a noite ali descansando. As cobertas todas enroladas no final da cama. Cheiros misturados, de cigarro, de vinho, de calor, de perfumes, de sexo. Um pouco de luz do dia amanhecendo entrando pelas cortinas velhas. Aqueles pontinhos de poeira de luz que ela sempre tentava pegar com as mãos. As mãos delicadas, suaves. E depois sorria e dizia que há certas coisas no mundo que não se podem prender. Ela era uma delas.
A cama vazia e só resta a lembrança de uma noite perfeita acompanhada da pessoa perfeita. Noite de chuva de estrelas, lua enorme no céu. Noite de conversas sobre tudo e sobre nada. Noite de beijos, de toques, de carícias. Noite de meios sorrisos e gargalhadas. Noites de abraços quentes, de pernas entrelaçadas. Das melhores noites que poderiam existir. A música tocando baixinho nos fones do ipod velho, às vezes sendo cantarolada por ela. Seguindo de risos e de comentários irônicos de “como eu canto bem!”. E sim, ela canta bem. E o cheiro do perfume que só na pele dela cheira assim. Meio pêssego, meio jasmim. Completamente e unicamente dela. Os pelinhos arrepiados na nuca quando suavemente passava meus lábios nela. A covinha que aparecia somente de um lado quando devagar sorria. Os cabelos castanhos e bagunçados que ela nunca gostou de pentear e que ficavam sempre bem assim nela. As palavras doces pronunciadas pela boca quando não beijava. E quando beijava o doce frio na barriga de quero-mais que se formava aos poucos na minha. Sussurros nos ouvidos, devagar, suave, baixinho, como se ninguém mais pudesse ouvir. E não havia mais ninguém ali, a não ser ela e eu. E a cama, que agora está vazia.
A porta abriu e fechou, antes mesmo de eu acordar. Não a vi indo embora, não a vi sorrindo nem recusando ao meu pedido/suplício de “fica-mais-um-pouco-por-favor”. Não a vi colocando a roupa que na noite anterior estava toda jogada pelo quarto escuro. Não a vi colocando os óculos de sol porque estava claro demais lá fora. Não a vi se despedindo de mim e nem a ouvi dizer que “a noite foi ótima, vamos marcar um drink para amanha?”. Não ouvi sair da boca dela as palavras que constantemente saem da minha quando estou com ela. Não a vi indo embora para não voltar mais.
Ainda há estampado um sorriso no meu rosto. Mas a cama sente falta do seu calor. E eu também.




p.s: i swear this will never be ok. it´s like we came from the same place.



26 junho 2010

para siempre



Três coisas eu aprendi.
O amor é incondicional.
A dor é inconsolável.
A saudade é infinita.


Para siempre.



p.s: do you remember when we met? that´s the day i knew you were my pet… i wanna tell you how much i love you…

03 maio 2010

Comment pouvez-vous dire?


Je ne parle pas français mais je parle mal de toute façon, peut-être vous me comprenez? Si je vous voulez, est le même en français.
Ses lèvres m'attirent. Je veux que chaque pouce de sa peau touche la mienne. Il est très difficile à comprendre?
Je te veux en chinois, anglais, français, allemand, espagnol, portugais. Ne comprenez-vous?
Et puis, que dois-je faire maintenant?



p.s: i can´t believe it, it´s always like this


20 fevereiro 2010

if you see her, say hello


Não se perca no tempo. Não fique pelo caminho. Corra aqui ao meu lado, abrace-me quando puder. Vamos dançar e rir, cantar desafinado mesmo sem se importar. Atenda o telefone quando eu ligar e venha me encontrar para passear. Apareça por aqui que eu apareço por ai, conte-me histórias. Faça-me sorrir com o seu sorriso.
Não se perca no tempo perdido. O tempo que passou, ficou. Agora é o novo, o presente, faça-se presente. Venha, ligue, apareça. Fique aqui mais um pouco. Vamos lembrar, vamos recordar, vamos sonhar de novo.
Senti a sua falta. Sinto ainda. Não se faça ausente de novo, volte!
Fique por aqui, farei um café e levarei os cigarros. Conte-me tudo. Conte-me da sua vida que já não conheço mais. Conte-me dos dias mais felizes e dos mais tristes também, a vida não é feita só de alegrias. Conte-me dos amores, das amizades, das chuvas que pegou, dos arco-íris que admirou. Conte-me daquela noite estrelada quando você pensou em mim. Quero saber de tudo.
Não se perca, não deixe o tempo passar mais assim depressa sem aparecer, sem voltar, sem ficar aqui na minha vida.
Meus braços estão abertos esperando o seu abraço. Meu carinho por você continua o mesmo, talvez um pouco enferrujado, mas isso é fácil de consertar. Venha, e venha logo.
Estou aqui esperando por você, como sempre o fiz, e com todo o amor que couber em mim.




p.s: Ohh darling, how i´ve missed you!

24 janeiro 2010

perdóname...


Te he alejado? Te he hecho daño? Perdóname. Pero ahora te prometo que no lo haré más. Te cuidaré. No, no lo sé. Intentaré.
Perdóname. No quise nunca hacerte daño, quebrar tu corazón.
Perdóname. No lo hice a propósito. Son cosas que... cosas que pasan sin uno saber. No he querido enojarte. Perdóname.
No te vayas, es tarde ya y llueve allí afuera. Déjame abrigarte, abrazarte, besarte. No, no te alejes de mi. Acércate más, siéntate aqui conmigo. Dame tu mano.
No, no me dejes. Que haré yo sin tí? No me dejes.
Perdóname.
Déjame explicarte que... Que no sé. No me dejes aqui sin tí. Sufriré. Moriré. Perdóname.
Te prometo, te prometo, te prometo, ahora siempre te cuidaré.
Pero no me dejes, no te vayas, no te alejes.
Perdóname.
Eres parte de mí, y si te vas ahora, que haré?
No, no abras la puerta. Espérame.
No quiero gritar, entra de nuevo, siéntate a mi lado, eres parte de mí, entiendes?
Te canto serenatas, te compro girasoles, te beso los pies. No me dejes. No me dejes.
Lloraré años sin tí, me desaguaré por tí. No te alejes.
Por que te vas? Te prometo, te explicaré, pero quédate.
Perdóname.
No abras la puerta. No salgas por el corredor. No entres en el acensor. No salgas por el portón. No camines por la calle. No te pierdas en la esquina.
No te veo más. No te tengo más.
Te vas. Te alejas. Me dejas.
Perdóname...



p.s: i could never sleep alone

23 janeiro 2010


Sento aqui e escrevo porque é o único que posso fazer. Sento aqui e escrevo para ti. Mais uma vez. Das trilhões de vezes, desta vez dói mais. Sento aqui e escrevo para ti, acompanhada do meu fiel cigarro e meia xícara de café frio.
Sento aqui e escrevo para ti porque hoje me vi sentada no parque sozinha e pensei em ti mais uma vez. Então, escrevo porque é como se falasse e desta vez tu me escutas.
Escrevo porque há algo ainda aqui em mim que me liga a ti. Como se fosse um pequeno e fino barbante costurado do teu coração para o meu, ou melhor, do meu para o teu. E escrevo porque é assim que consigo finalmente colocar os meus pensamentos em linha reta (ou não).
Sento aqui e escrevo porque tenho tempo. Escrevo para ti porque há uma vontade absurda de contas que hoje vi um passarinho quebrando o ovinho e nascendo. Escrevo para ti porque hoje parei e cheirei uma flor. Daquelas coloridas e perfumadas. Escrevo para ti porque ouvi a pior das piadas, e ri feito criança, feito boba.Escreo para ti porque caminhei pela praia admirando o mar. E eu queria te contar sobre isso. Sobre o mar, sobre a piada, sobre a flor e o passarinho. Queria te contar sobre mim. Por isso escrevo.
Sento aqui para escrever porque meus pés doem, caminhei muito durante muito tempo, talvez dias, meses, anos. Caminhei procurando por ti, sabes? Nunca achei. Sento aqui para escrever porque a brisa que bate no meu rosto vem com cheiro de primavera. Cheiro de primavera. Assim era o perfume dos teus cabelos. Sento aqui para escrever porque o sol está se pondo e é lindo, tão lindo, como se formam tantas cores amarelo-laranja-vermelho. Sento aqui para escrever porque o silêncioé quase que ensurdecedor. E é melhor assim. É sempre melhor assim.
Sento aqui e escrevo para ti porque quero que saibas da saudade que cresce aqui dentro e fora de mim. Sento aqui e escrevo para ti porque quero que saibas que estás em tudo que vejo, que ouço, que sinto, que bebo, que como, que fumo, que vivo. Sento aqui e escrevo para ri porque não há outra maneira melhor de fazê-lo.
Sento aqui e escrevo poque é assim que têm que ser. Escrevo para que saibas do aperto no coração. Ele, coitado, anda tão partido... Escrevo para que saibas que lembro de cada momento ao teu lado. E lembrando sorrio. Escrevo para que saibas que meu sorriso é verdadeiro e que é para ti.
Sento aqui e escrevo, enfim, para que não te apagues em mim.





p.s: i love you more than i have ever found a way to say to you