18 dezembro 2013

fio




Sabes? Não quero mais. Eu cansei de inventar desculpas pelas quais chorei. Eu chorei sim, e choro, não sou tão forte assim. E eu chorei desta vez, não por um filme triste, nem por uma foto de um cachorrinho em péssimas condições, nem por um livro emocionante, nem mesmo por lembrar da minha bisavó. Chorei porque encontrei um fio de cabelo teu ainda no meu travesseiro.  E fiquei lembrando de ti, e da saudade, e do tempo que faz desde a última vez que a gente se viu. Fiquei lembrando do teu cabelo bagunçado nas manhãs. Lembrei do teu riso e do teu rosto quando dormes. Sabes? Eu passei algumas noites em claro só velando teu sono. Acho que nem sabes que contei as pintas nas tuas costas e ombros, nem sabes que sei de cor cada cicatriz do teu corpo.  Então, como ia dizendo, encontrei um fio de cabelo teu no meu travesseiro. E chorei. Só por isso chorei. Pensei em ti. Pensei no que poderias estar fazendo. Pensei no que poderias pensar. Pensei com quem poderias estar. E de repente, minha garganta fechou, como faz tempo não o fazia, e o peito apertou, como faz muito tempo não acontecia. E começaram devagar a escorrer lágrimas pelo meu rosto. Lágrimas salgadas, lágrimas de saudade, de amor. E fui ficando assim, toda encolhida, deitada na cama, minha cabeça deitada no travesseiro onde ainda se encontrava o fio do teu cabelo. E chorando lembrei que eu tinha prometido a mim mesma nunca mais chorar por ninguém. Como é fácil quebrar promessas! Fiquei ali deitada, encolhida na cama e a cabeça no travesseiro, olhando a única coisa tua que ficou comigo durante um tempo. Talvez foram dias, meses, minutos ou segundos, não sei, às vezes quando fico pensando em ti, perco o sentido do tempo. Não sei nem mesmo quanto tempo se passou desde a última vez que a gente se viu. Foram meses? Anos? Semanas? Dias? Horas? O tempo simplesmente passa e vai levando cada vez mais a tua presença da minha vida. E este fio de cabelo teu que ainda se encontrava no meu travesseiro me fez pensar na saudade, no amor, na solidão. Quanto tempo se passou? A verdade é que agora não sei nem sequer se o fio de cabelo é teu, se a saudade é tua, se o amor......




p.s: your hair upon the pillow like a sleepy golden storm

10 setembro 2013

apenas



Às vezes bate uma saudade. Uma saudade tão forte, daquelas que aperta o coração, que sufoca a alma, que fere o mais íntimo do mais íntimo do íntimo. Uma saudade da sua mão na minha, dos seus dedos enrolados no meu cabelo, das suas pernas entrelaçadas nas minhas. Uma saudade das noites, dos dias, das madrugadas e do pôr-do-sol...
Às vezes bate esta saudade que machuca, sabe? Machuca, magoa, espanca, violenta, fere, dói. Uma saudade crua, bruta, fria... inconsolável.
Às vezes é saudade de ti, às vezes de mim, às vezes de nós. Às vezes é apenas saudade.
Mas às vezes, às vezes, é apenas solidão.



p.s:  you're so lonely, so lonely

20 maio 2013

under the sheets




Her smell on my bed, impregnating the sheets, the memory of nights awake, the touch, the kiss, "do not ever go away from here," warming the left side of the bed and the heart as well, separates insecurity from will, leaving here only the colors, strip away the blacks and grays, take away the pain and sorrow, the delicacy of words, the beauty of the smile, let it be like this, i´ll go to sleep now, don´t ever want to wake up, this is how I wanna be.


p.s: and the heart is dumb and the heart is blind

12 março 2013

outro alguém




Ela dorme. Deitada aqui ao meu lado posso escutar sua respiração suave, devagar. Inspira. Expira. Se me mexo posso estragar toda essa paz. Respiro suave para não acordá-la. Ela se aconchega nua cada vez mais sobre meu corpo também nu. Há tanta tranqüilidade e inquietude neste momento. Não quero deixá-la. Não quero ir embora. Não quero me arrepender.  Se ela acordar agora tudo será mais complicado, ela não pode saber. Como tudo foi ficar assim, tão difícil e intenso? Olho para ela com ternura, porém a odeio. Odeio como me deixa tão confusa. Eu tenho que ir embora. Será que posso? Que consigo? Ela dorme e no sonho me abraça cada vez mais. Será que ela sabe que há outra vida lá fora? Que há outro alguém? Será que poderá me perdoar? Me perdoa, minha linda, mas tenho que partir. A doçura da noite fica impregnada no meu corpo. Será que tenho o perfume dela em mim? Preciso ir embora e nunca mais voltar. Desta vez é sério. Não volto, não posso. “Me perdoa, mas conheci outro alguém que agora tem meu coração.” O que posso dizer? Me perdoa, sou viciada na pele, no cheiro, no toque, no perfume dela. Não consigo evitar. Não consigo dizer não. Ela me olha, eu derreto. Sua respiração no meu pescoço me convida a ficar aqui, assim, para sempre. Não posso, não devo. Há outros braços que esperam o abraço. Não acorda, minha linda, que não quero me despedir. Não acorda, fica assim, sonhando com o impossível. Eu vou e não volto. Adeus, meu coração.


p.s: There's so much I need to say to you, so many reasons why

20 fevereiro 2013

às vezes




Às vezes dá uma saudade de abrir os olhos pela manhã e você ser a primeira imagem que eles vêem. E suas pernas, o toque mais suave nas minhas. 
Às vezes dá uma saudade, sabe? 
Às vezes.



p.s:  everybody hurts... sometimes

03 fevereiro 2013

A vida pode (e vai) mudar tanto, meu amor, que dá até medo.




Começa por tirar os sapatos. Pisar na grama molhada da chuva fina e fresquinha numa noite de verão. Continua por fechar os olhos. Sentir o vento e a chuva bater no rosto. As lágrimas se misturando com a chuva, já não são mais lágrimas. Depois abre os braços. Deitar no chão de braços abertos sentindo cada pedaço do corpo encostando-se à grama molhada e a chuva tocando cada centímetro de ser. Ser vivo, ser emotivo, ser. Agora respira fundo. O ar entrando pelo nariz, passando pela traquéia, enchendo pulmões, enchendo de vida isto chamado de corpo que se sentia morto há tanto, tanto tempo. Pensa, sente, vibra. Há vida, há vida, há vida...



p.s: I can't feel my hand any more... It's alright, sleep tight