26 agosto 2009

borboletas



Há borboletas no meu estômago.
Daquelas bem bonitas e coloridas.
Daquelas bem grandes e agitadas.
Daquelas que aparecem quando eu penso em você.
Há borboletas no meu estômago.



p.s: close your eyes, give me you hand

17 agosto 2009

castelo de areia



Ok, então é assim. É assim que se sente perceber que tudo pode ter sido em vão. É assim que se sente ver os sonhos despedaçados no chão sendo pisoteados. É assim que é. E dói, sabe? Como dói! Tantos sonhos, planos, metas, para que? Um castelo de areia. É isso, como um castelo de areia tudo desabou. Não sobrou nada. Só isto, um corpo vazio. O meu. Dias melhores virão dizem, mas dias melhores demoram tanto para chegar. Não há mais tempo, já passou. Tudo que tinha que ser feito já foi. E não há mais nada. Não sobra mais nada. Com o tempo as coisas vão ficando cada vez menores eu disse. Esperança quase nula. Como se faz para sorrir? Sinto saudades daquilo que não será mais. E dói, tudo aqui dói. O vazio dói. Construir um castelo de areia demora tanto tempo. Como é possível que em segundos ele acabe completamente destruído no chão?




p.s: Let That Be Enough



01 agosto 2009

reticências



...

Eu gosto das coisas literais. E você me enrola com seus “bla-bla-blás”. Não compreendo sequer uma palavra que você diz, mas me encanta, me encanta. E tudo parece ir cada vez mais devagar, como se cada som demorasse anos luz a chegar. Sua voz nos meus tímpanos.
Deito na cama e seu corpo nu me convida para o abraço. Seu corpo é quente mesmo nas noites mais frias do inverno, e eu gosto disso. Sua pele arrepia com facilidade, e eu gosto fazê-la arrepiar. Minha mão passa devagar nas suas costas e suavemente, levemente os pêlos finos da sua nuca começam a levantar. E eu gosto disso.
O ventilador faz um barulho confortante. Você sempre liga o ventilador, mesmo no inverno, só para ouvir o barulho. E eu me acostumei a essa melodia constante. E à sua respiração no meu pescoço.
Gosto do seu riso. E do seu olhar infantil. E de como você me chama para dividir a cama com você às vezes.
Começo a pensar que gosto muito de ficar ao seu lado.

...



p.s: ... e começa agosto. boa sorte a todos.

30 julho 2009

história


Isto foi escrito em Janeiro deste ano.
A história continua a mesma.


Novembro. Chuva. Pé inchado. Miss Batom. Cinema. Sanduíche de berinjela. Botafogo. Mais chuva. Carro e viaduto. Passeio na praia. Torpedos frenéticos nos celulares. Vontades de ficar, mas não. Mais cinema, mais chuva, mais novembro, mais vontades, mas não. Cinema. Feriado. Colchão no chão. Vira de costas. Caranguejo. Mais chuva. Beijos. Carinhos. Suspiro no pescoço. Conchinha. Filme. Colchão no chão. Beijos. Carinhos. Não vá embora, por favor. Torpedo de estou com seu cheiro. Torpedo de estou com saudades. Mais dias de chuva e calor. Natal. Ano Novo em Búzios. Amigos novos e queridos. Mais chuva. Beijos. Carinhos. Aniversário. Meus amigos. Seus amigos. Todos. Mais beijos. Mais carinhos. Carnaval. Saquarema. Sítio. Cachorro e pássaros. Amigos queridos. Pouco de ciúme. Beijos. Carinhos. Mais cinema. Miss Batom. Hotel Morada. Sanduíches com pimentão e chocolate quente. Filmes na cama. Brigadeiro. E beijos. E carinhos. Fondues em Teresópolis. Conversas. Abraços. Beijos. Carinhos. Frio. Dois cobertores, um pra mim, um pra você. Novembro. Chuva. Paraty. Barulho de goteira. Adesivo de casal gay na geladeira. Cidade histórica todos os dias. Dormir de tarde e acordar à noite. Fotos e mais fotos. Caranguejo número 1. Seu sorriso. Seu beijo. Seu abraço. Seu carinho. Natal. Ano Novo em Saquarema. Amigos não tão novos e queridos. Piscina e comidas. Pessoas queridas. Aniversário. Uruguay. Punta Del Este. Barco. Carnaval na Argentina. Jardim Japonês. Medo de avião. De volta ao mundo real. Novos desafios. Mais ciúmes. Menos filmes. Menos sanduíches com pimentão. Menos passeios na praia. Mais cansaço. Mais distração. Documentário. Acidente de carro. Medo de te perder. Medo de ficar sem você. Final de semana com o coração na boca. Você bem. Alívio. Aproximação da família. E eu. Visitas. Dor. Imobilização. Fisioterapias. Muitas. Fotos de crianças. Suas viagens. Mais ciúmes. Mais medos. Mais cansaço. Menos beijos. Menos carinhos. Menos passeios. Mais trabalho. Mais responsabilidades. Mais distrações. Muito mais ciúme. Muitas outras brigas. Muitas outras discussões. Muitos outros choros. Novembro. Chuva. Cesta de chocolates e sapatos bem como queria. Passeio de carro. E volta para casa. Caranguejo número 2. Menos beijos. Menos carinhos. Mais ciúmes. Mais distrações. Festa de criança. Volta de ônibus. Conversa longa e chata. Te deixo em casa e vou embora. Não mais Hotel Morada. Natal. Não mais filmes. Não mais sanduíches com pimentão. Não mais beijos. Não mais abraços. Não mais carinhos. Não mais suspiros no pescoço. Não mais conchinha. Não mais colchão no chão. Ano novo, eu lá, você cá. Torpedos tristes no celular. Fica bem e se cuida. Só isso. Saudades. Aperto no coração. Uma dor nunca antes sentida. Ciúmes e medo de perder de vez. Vontades de estar perto, mas não. Dias sem saber. Dias sem nem sequer um oi-tudo-bem. Dias assim sem você.
Nossa história não tinha que parar por aqui, mas agora eu não sei.

P.S: Ao som de "The Only Moment We Were Alone"

14 julho 2009

Para minha estrela



Que necessidade tola esta a que me consome agora. Esta necessidade de fazer você saber que eu sinto a tua falta de uma maneira absurda. Que me aperta, me sufoca, me machuca. Esta necessidade tola que tenho agora de te ligar e dizer que pego o primeiro ônibus que passar ai na esquina da tua rua só para te dar um abraço, aquele abraço que tenho guardado aqui para te dar há tanto tempo. Há tanto tempo que tenho tudo preso aqui na garganta e quando quero falar não sai nada. Não sai nada porque tudo que sai são palavras confusas, misturadas, palavras que você já deve ter ouvido muito, palavras como “sinto-tanta-falta-de-você-que-não-sei-como-aguentar-a-saudade-não-consigo-mais-ficar-assim-sem-você-na-minha-vida”. E eu, eu juro que não sei como fazer para não sentir a tua falta. E eu já tentei de tudo. Já guardei cartas, fotografias, não ouço mais certas músicas, não vejo mais certos filmes, não uso mais certas roupas, passo longe de perfumarias e evito falar no teu nome. Mas nada disso adianta, sabe? Nada disso nunca adiantou.
Não peço nada de você, não quero nada em troca. Só preciso, necessito, que você saiba, que você tenha noção, da falta que você faz na minha vida. Que você saiba do buraco que há no coração. Que você imagine o nó na garganta. E que saiba – e como eu espero que você saiba! – que eu te amo e que te admiro e que és uma pessoa maravilhosa.
Há tanta coisa que eu ainda quero te dizer, mas prefiro dizer pessoalmente. Estou dando o primeiro passo, por favor, me acompanha no segundo.



P.S: Wait! They don´t love you like I love you

20 junho 2009

teu dia


O meu problema sempre foi o começo, não sei começar, nem a escrever nem a viver. Mas o acabo fazendo, assim como escrevo agora começando esta carta a ti, que nem sei se a lerás. Estou aqui escrevendo para ti hoje, e especialmente hoje porque outros dias já escrevi demais, mas hoje o dia é teu. E eu só queria te dizer da falta que fazes aqui, do meu lado, e na minha pele, e no meu abraço, e no meu beijo, e em mim.


Hoje queria ser o teu abraço. Hoje queria beijar cada pedaço do teu corpo, da tua pele macia. Hoje queria deitar do teu lado e deixar os meus dedos se perderem nos teus cabelos. Hoje queria sentir a tua respiração no meu pescoço. Hoje queria tua cabeça apoiada no meu peito nu. Hoje queria ouvir seu coração bater, assim baixinho como ele bate. Hoje queria segurar a tua mão e não soltar mais. Hoje queria meus olhos encharcados de lágrimas ao falar com tanto orgulho o teu nome. Hoje queria me perder no teu sorriso. Hoje queria tocar o teu rosto, teus braços, tuas pernas, tuas costas, e sentir cada centímetro do arrepio se formando ai, em cada toque. Hoje queria te dar a lua que vi ontem lá do alto do morro, porque sei como amas o seu brilho. Hoje queria correr até a tua casa, bater na tua porta, deixar um girassol lá e me esconder, só para ver o teu rosto ao ver a flor, e depois dizer que o meu girassol sente a tua falta, assim como eu. Hoje queria tropeçar do teu lado e cair de maneira engraçada, porque sei o quanto isso te faz rir. Hoje queria ouvir o teu riso. Hoje queria levar você pra bem longe, num lugar onde só tu e eu fiquemos, vendo o mar, vendo o pôr-do-sol, vendo as estrelas nascer. Hoje queria te fazer um jantar romântico, à luz de velas, comida vegetariana, que tal? Hoje queria sentir o teu perfume. Hoje queria ouvir a tua voz cantando e tuas mãos tocando o violão. Hoje queria te dizer o quanto eu te amo, o quanto eu sinto a tua falta, o quanto dói tudo em mim quando percebo que não estás aqui do meu lado como tanto queria. Hoje queria que soubesses do nó que se forma na minha garganta e de como o coração está apertadinho, apertadinho aqui dentro de mim. Hoje queria te dizer que desejo pra ti toda a felicidade que possa existir no mundo, no universo. Hoje queria te dizer que você me fez mais feliz do que eu poderia imaginar ser. Hoje queria te contar do orgulho que sinto de ti. Hoje queria te abraçar, te beijar, e te desejar o melhor dos aniversários. Hoje queria estar ao teu lado e comemorar mais um ano da tua vida iluminada. Hoje queria te agradecer por ter entrado na minha vida e ter me proporcionado os melhores anos dela. Hoje queria te dizer que te amo mais do que você poderia imaginar. Que te amo com todas as forças do universo. Que te amo em cada poro do meu corpo. Que te amo em todos os lugares do mundo. Que te amo para sempre, mesmo não acreditando no para sempre. Que te amo e que te amei e que te amarei.


P.S: Para ler ao som de You Could Be Happy, música que não sai da minha cabeça quando penso em ti.


14 junho 2009

Levemente



Um bom vinho. O vento de junho entrando pela janela aberta da sala do apartamento perto do mar. Era meia noite? Ou um pouco antes, ou um pouco depois. A música. As vozes cantando juntas, entoando melodias que eram conhecidas ou não. As guitarras, o baixo, e o violoncelo. Ah! O violoncelo...
Sorrisos, risos, carinhos. Mais vinho, quem quer? O maço do cigarro quase acabando, quem vai comprar mais? Me empresta o seu isqueiro? O cheiro da maconha se misturando com o cheiro do incenso se misturando com o cheiro do vinho se misturando com o cheiro dos perfumes se misturando com o cheiro da cerveja se misturando com o cheiro da maresia se misturando com o cheiro da quase chuva se misturando com o cheiro da comida se misturando com a música que tocavam e cantavam harmoniosamente naquela noite de junho.
Mais vinho, mais cigarro. Me empresta de novo o seu isqueiro? Sua mão tocou na minha, foi de propósito? E você sorriu, e desta vez foi para mim. E o vento gelado continuava entrando pela janela aberta da sala do apartamento perto do mar. E a música continuava sendo tocada, cantada. E os cheiros ainda se misturavam. E a noite ainda estava começando. E tudo isso envolve, sabe? Tudo isso envolve mais do que você pode imaginar. E eu sei. Naquela noite de junho, acompanha de um bom vinho, de gargalhadas e sorrisos meio tímidos, e melodias de violoncelo, e cheiros, e cigarros, e pessoas, eu fui feliz.


P.S: Pic by Jô Corrêa.

09 junho 2009

first breath after coma


Abre os olhos. Olha. Enxerga o teu redor.
Inspira. Segura. Expira.
Os pés descalços na grama molhada. A grama, molhada.
Inspira. Segura. Expira.
Agora fecha os olhos. Sente. Só sente.
Inspira. Segura. Expira.
As mãos geladas dentro dos bolsos também gelados.
Inspira. Segura. Expira.
A chuva batendo no rosto. O vento batendo no rosto.
Inspira. Segura. Expira.
Silêncio, há tanto silêncio no barulho.
Inspira. Segura. Expira.
E sorri.
Levemente.
Simplesmente.
Sinceramente.
Sorri.


P.S: Para ler (e suspirar) ao som de First Breath After Coma.


01 junho 2009

Vem



Vem.
Vem e fica comigo mais uma vez.

Só mais uma vez.

Quem sabe talvez desta última vez eu consiga perceber que acabou.
Ou não, quem sabe?



P.S: so if you love me, why did you let me go?


18 maio 2009

r.a.i.n



Lembro de estar correndo, num beco escuro, parecia de noite mas não sei. E chovia, sim chovia muito. Lembro de continuar correndo, e lembro das palavras que eu continuava repetindo: “respira, só respira”.
E continuei correndo, molhada pela chuva que não parava, e corria, e corria. “Respira, só respira”.
Então, perto da primeira esquina que via em horas de estar correndo em linha reta, eu vi um enorme guarda-chuva. Por um instante parei de correr, e a chuva continuou molhando meu rosto, mas desta vez não me importei. “Respira”.
De repente, eu estava na sua frente, não lembro como cheguei até ali, não lembro da chuva, nem de respirar. Mas lembro sim do seu rosto e da sua expressão ao me ver.
Eu ainda estava muito molhada, e você, apesar do enorme guarda-chuva, também estava.
Não lembro de dizer nada, ou talvez disse, mas nada importante. E você sorriu, e eu sorri.
Ainda estava escuro, e ainda chovia, mas acho que isso não importava mais. Lembro de ficar ali parada, sem me mover muito. Não lembro de sentir frio, mas lembro do vento e da chuva.
Então, ali, naquela esquina escura, naquela chuva, eu te abracei. E você me abraçou. Não lembro de chorar, mas lembro do sorriso. Não lembro sequer de respirar.
Então eu te abraçava. E abraçava forte. E foi ai e assim que meu sonho acabou.