28 dezembro 2010

use-me



És tu? Será que é o teu coração que eu tenho procurado? O teu frio e duro coração. Porque eu não procuro amor, não. Coração, somos dois corações sem sentimentos querendo apenas ser usados. Então, me use.

Eu não ligo mesmo, não. Eu não ligo que tu só ligues quando me queres. Eu fico feliz que tu me queiras de alguma maneira. Coração, somos dois corações que se quebram querendo apenas juntar os pedaços. Então, me use.

Tu me usas. E eu te uso. Coração, somos apenas dois corações frios, duros, brutos sendo usados. Eu só quero esta noite contigo. Eu não gosto da pessoa que sou, que me tornei. E tu não consegues nem olhar no espelho. E eu só quero ficar contigo esta noite. Então, vamos tornar esta noite a nossa. Por isso, me use.


p.s: ´cause i just want this night with you

11 dezembro 2010

revenge


Eu vim aqui para te dizer adeus.

Eu vim aqui para te dar um último abraço e beijar os teus lábios pela última vez.

Eu vim aqui para olhar os teus olhos, sentir a tua carícia.

Eu vim aqui para te dizer adeus.

Eu vim aqui porque eu amo outro alguém.

Eu vim aqui para ver o teu rosto entristecer.

Eu vim aqui para te recordar dos dias felizes.

Eu vim aqui para te dizer adeus.

Eu vim aqui para te dizer que lamento.

Eu vim aqui para fazer as tuas lágrimas cair.

Eu vim aqui para poder esquecer.

Eu vim aqui para dizer adeus.

Eu vim aqui para dizer que eu...

Eu vim aqui para dizer que é para esquecer.

Eu vim aqui para dizer isto

Como um dia o disseste para mim.


p.s: how do i make you know


22 novembro 2010

eu queria te dizer que...


Eu queria te dizer que... Que te perdôo por tudo o que deixaste passar. Que te perdôo pelo tempo que perdemos em outras coisas, outras cidades, outras pessoas. Eu queria te dizer que este tempo todo passei os dias apenas sobrevivendo sem ti.
Queria te dizer que aprendi a fazer o molho para o macarrão, e que não vale a pena mais fazê-lo sem ter companhia para comer. Eu queria te dizer que comecei a gostar de MPB. E que a lua agora tem um brilho diferente.
Eu queria te dizer que mudei de perfume, e que ando usando roupas diferentes. Queria te dizer que mudei de emprego, de profissão, de casa, de telefone... Queria te dizer que eu mudei, mas que continuo a mesma.
Eu queria te dizer que ensinei a um sueco a contar até 10 em português e ele me ensinou a dizer “eu te amo”. Jag älskar dig. Eu queria te dizer que eu ainda te amo.
Eu queria te dizer que às vezes à noite fico olhando o céu e as estrelas e fico imaginando você fazendo o mesmo e pensando em mim. Eu queria te dizer que penso muito em você.
Eu queria te contar das muitas vezes que sonhei contigo. Eu queria te contar das vezes que passei pela tua casa e tive vontade de ligar e dizer: “desce-estou-aqui-quero-voltar-volta-para-mim”, mas nunca o fiz.
Eu queria te contar dos novos amigos que fiz, e dos muitos outros que perdi. Queria te contar que às vezes não dava vontade de continuar.
Eu queria te contar dos filmes que vi. Queria te dizer das músicas que ouvi. Queria te mostrar os livros que li.
Eu queria te dizer que tentei não sofrer, que tentei ser forte e não chorar. Eu queria te dizer que não consegui beijar nenhuma outra boca sem pensar na tua. E que nenhum outro corpo tem o teu calor.
Eu queria te dizer que me arrependi de ter deixado você ir. Eu queria te dizer que me arrependo de não correr atrás.
Eu queria te dizer que te quero feliz.
Eu queria te dizer que estou soltando aos poucos esta linha forte, invisível, que me prende, que me segura, que me sujeita, a ti. Que está sendo difícil, mas que está sendo. Que continuar não é mais uma tarefa impossível, e sim um fato acontecendo. Que é possível sim viver morrendo de amores por alguém que não se tem mais, mas que a vida continua. E a minha continua. Eu queria te dizer já não espero a tua ligação a qualquer momento, que não espero mais o nosso encontro. Eu queria te dizer que jogarei fora algumas cartas, guardarei algumas fotos.
Eu queria te dizer que sorrio ao pensar em ti. E que penso muito em ti.
Eu queria te dizer “obrigada” pela vida que construíste em mim, pelo amor que me deixaste sentir.
Eu queria te dizer que... Eu queria te dizer tanta coisa, mas o mais importante que eu queria te dizer é que ainda te amo, e que é sincero. E que te quero bem. Fica bem.


p.s: i just wanted to say... all i wanted to say is...

11 novembro 2010

can´t let go



Todos esses gritos que você grita, você os grita em vão. Não há nada que me faça ver tanto ódio em você. Todos esses socos e tapas que você dá, você os dá em vão. Não há nada que me faça ter raiva de você. Não se pode apaixonar e desapaixonar num dia só. Não estou aqui há pouco tempo, conheço todos os seus medos, suas fraquezas, suas alegrias e tristezas. Quando você caiu, você caiu em frente de mim. Quando você se perdeu, foi a mim quem você seguiu. E quando você se encontrou, foi comigo.
Será que você pode deixar de lado todas estas lágrimas e mágoas? Será que você pode se deixar abraçar só desta vez? Se você quiser eu grito mais alto, bato mais forte, choro mais triste, mas não se deixe ir. Se você quiser solto a sua mão agora, mas por favor, não se deixe ir. Se você quiser fico em silêncio, mas por favor, não se deixe ir. Eu não posso deixar você ir.
Será que você não vê? Será que você não entende? Sou EU aqui. Sou eu aqui ao seu lado. Se você quiser gritar, grite. Se você quiser me bater, me bata. Se você quiser pedir para ser deixada em paz, peça. Mas eu não posso deixar você ir. Por favor, não se deixe ir.
Será que você pode tirar esta barreira que há em torno de você? É tão difícil chegar até você. Como faço para quebrar o aço que me proíbe o abraço? Como faço para chegar até você? Como faço para fazer os seus olhos olharem para mim? Como faço para você ouvir e perceber que daqui eu não saio? Por favor, não se deixe ir. Eu seguro você, eu não vou largar, eu não vou partir. Deixe-me ficar, deixe-me fazer parte, deixe-me estar. Mas por favor, não vá. Não se deixe ir.


p.s: you´ve done nothing at all to make me love you less

21 outubro 2010

blur



Eu sabia onde ficava cada pinta em seu corpo. Eu sabia das cicatrizes e marcas. Eu sabia o tamanho exato do furo no seu queixo. Eu sabia exatamente a sua altura e suas curvas.
Eu reconhecia a cor da sua pele e o seu cabelo bagunçado. Eu sempre reconheci o seu cheiro numa multidão. Eu sempre reconheci o seu jeito de andar e o barulho da sua gargalhada.
Eu sabia de cor que o seu nariz era levemente empinado, e a cor dos seus olhos, e o formato da sua boca...

Era ela! Eu juro que era ela... Era ela? Será que era ela?

...



p.s: do you hold it inside? all your voices and all your choices and all my mechanisms to forget you?


10 outubro 2010

cuidado



Cuidado. Quando se ama, a queda é enorme.
Quando se ama, se está nas nuvens, no alto, num lugar completamente fora daqui, fora da loucura, fora do caos, fora de tudo. Quando se ama se sorri por nada, se chora por tudo. Quando se ama, as cores são mais coloridas; o cinza é azul, vinho, roxo, amarelo...
Quando se ama, a música tem mais melodias, mais notas, mais harmonia. Quando se ama, os cheiros são mais fortes. Quando se ama, é como se todos os sentidos se intensificam, tudo fica maior, melhor. Quando se ama, não se diz não, a vida é um grande SIM para tudo. Até para a dor.
Cuidado. Quando se ama, a queda é enorme. Já me diziam. E eu não acreditei.


p.s: so if you mean it, i´m letting you go... i´m missing you so...

25 agosto 2010

dreamer


Estou dirigindo no escuro, à noite, e chove. Meu estômago está cheio de pequenas borboletas coloridas querendo sair pela boca cada vez que tento pronunciar o teu nome. E eu tento. E eu tento.
Sorrio ao lembrar do teu sorriso, e fecho os olhos para não esquecer de cada centímetro da tua boca e como aparecem as covinhas na tua bochecha. Ainda estou dirigindo, mas não vejo a rua, a estrada. És tu quem eu vejo. E os teus olhos que sorriem quando sorris. E as covinhas.
De repente estou parada numa sala grande, tão vazia de gente e de objetos. O teto é alto demais mas através dele consigo ver as estrelas. E chove mas não há nuvens. E a lua... Ah! A lua. E sorrio. Sei que estás ai. Então sorrio.
E antes de perceber estou te abraçando. Teu corpo no meu. E estamos dançando ao som de alguma música que não reconheço mas é linda, é linda. Diz algo assim como “...and my heart is beating next to yours and my hands are holding yours and you and I are one you and I just you and I…”. E estamos dançando enquanto os teus lábios encontram os meus no meio da chuva, das estrelas, da lua.
Por um minuto sinto todas as borboletas coloridas fugindo desesperadamente pela minha boca e quando percebo, elas estão dançando junto a nós e tu sorris, e eu sorrio e não estamos mais na sala grande tão vazia de gente e de objetos, estamos num parque. Há árvores e flores e nossos pés descalços sentindo a grama molhada pela chuva que não cai mais. E nesse momento estamos deitadas na grama. A tua mão encosta na minha mão e sinto mais borboletas coloridas no estômago querendo fugir. De onde saem tantas borboletas?! E te beijo. E te beijo. E me olhas e sorris com os olhos e as covinhas. E eu sorrio e tento fotografar com a minha mente esse momento. Este momento. Maravilhoso assim. Perfeito assim. Não, não me acordem agora. Não quero acordar. É perfeito assim como está. Não me tirem daqui, ainda não consegui dizer o seu nome. Como era o seu sorriso? E as covinhas? E os olhos que sorriem? Cadê as borboletas coloridas? “you and I just you and I”.
Acordo sorrindo.
Até o próximo sonho.



p.s: I will wait for you tonight … I will waste another dream on you

20 agosto 2010

eu te odeio


Eu te odeio. Te odeio toda. Da ponta dos teus cabelos até a unha do pé. Odeio como olhas atrás das lentes desses óculos. Odeio teus olhos cor de amêndoa. Odeio o teu cheiro de pêssego misturado com jasmim. Odeio o teu sorriso de criança. Odeio como choras todas as vezes vendo o mesmo filme. Odeio como cantas e como tocas o violão. Odeio a tua maneira de sentar na frente do computador enquanto trabalhas. Odeio tuas mãos suaves. Odeio a curva que faz na tua cintura. Odeio como nunca penteias o teu cabelo. Odeio o teu furo no queixo e como ele parece se mostrar mais quando sorris. Odeio todos os sanduíches que fizeste para mim quando voltava do trabalho cansada. Odeio quando deitavas a cabeça no meu ombro e adormecias assim, tranqüila, delicada. Odeio quando seguravas a minha mão embaixo da mesa, e como tuas pernas entrelaçavam nas minhas ao dormir. Odeio como o teu corpo sempre encaixou perfeitamente no meu. Odeio todos os apelidos que me deste e odeio todos aqueles que me lembram a você. Odeio ouvir o teu nome, mesmo não sendo o teu. Odeio ouvir todas aquelas músicas e assistir todos aqueles filmes. Odeio sentir a brisa de uma tardezinha em Teresópolis e o teu cheiro aparecer assim, do nada. Odeio lembrar de ti. Odeio lembrar de ti. Odeio.


Eu te odeio. Sim, eu te odeio. Como quem odeia aquilo que mais o feriu. Te odeio como se odeia o frio num dia de praia. Te odeio como se odeia a luz quando se quer dormir. Te odeio como se odeiam todos os filmes de Natal. Te odeio como se odeia o horário político. Eu te odeio.

Odeio não conseguir esquecer o teu abraço às noites. Odeio querer a tua presença cada dia. Odeio não poder ligar e dizer “estou com saudades”. Odeio não saber da tua vida. Odeio que não ligues para a minha. Odeio saber que és feliz. Sim, odeio saber que és feliz sem mim. Odeio os teus projetos, os teus trabalhos, os teus amigos. Odeio a cidade onde moras, odeio a tua casa. Odeio as fotografias. As tuas. Odeio como todo mundo parece te amar. Odeio que te amem. Odeio ser lembrada a cada momento de como a nossa vida era perfeita. Odeio a cama que dividimos. Odeio o quarto que ficou vazio. Odeio o som do ventilador. Odeio as tuas roupas que ainda estão comigo. Odeio não ter forças para devolvê-las. Odeio as cartas que me enviaste. Odeio lê-las e não ter coragem de jogá-las fora. Odeio não querer jogar nada fora. Odeio não te esquecer. Odeio não te esquecer. Odeio não te esquecer.


Odeio te querer. Odeio te precisar. Odeio te amar. Odeio não te ter mais. Odeio os dias vazios. Odeio o abraço perdido. Odeio o beijo não dado.
Eu te odeio.



p.s: I need you to need me… then love until we bleed… then fall apart in parts…

07 agosto 2010

faláncia


Ok. Estou indo embora. Não precisas nem te levantar da cama. Faço a minha mala, e desapareço da tua frente, assim, como por ato de mágica, como a fumaça do cigarro que agora fumas completamente inconsciente do que acontece. Ok. É assim que queres, é assim que é.
Estou indo embora, e não há nada que possas dizer que me faça mudar de idéia. Cheguei ao meu limite, passamos dos limites de qualquer coisa, de qualquer um, e não há nada mais a ser feito. Não me queres aqui, não me quero aqui. Esse teu ar de indiferença não me afeta mais.
Estou indo embora, ouvistes? Não me peças agora, eu não fico. Ok. Finge que não ouves, finge que não te importas. Continua a fumar teus cigarros que eu vou embora. Saio pela porta e não me verás mais. Estás ouvindo? Não me verás mais.
Estou indo embora agora. Será que pela primeira vez na tua vidinha podes me ouvir? Será que pela primeira vez nessa nossa existência fajuta podes te importar? Nem que seja só um pouquinho? EU-ESTOU-INDO-EMBORA. Ouves?
Já fiz a minha mala, vês? Estou abrindo a porta. Agora a porta está aberta e eu estou indo embora. O que achas disso? E se dou um passo para fora deste apartamento não volto mais. É isso que queres? É isso que realmente queres? Estou indo embora. Te afeta?
Olha, estou indo embora, por que não vens me deter? Se vou embora agora é para sempre. Para sempre é tempo demais, sabes?
Então, estou indo embora agora.
Mas se me chamas de volta, eu volto.



p.s: don´t you let me go, let me go tonight

05 julho 2010

empty bed



A cama vazia. O travesseiro ainda quente e com a forma de uma cabeça que passou a noite ali descansando. As cobertas todas enroladas no final da cama. Cheiros misturados, de cigarro, de vinho, de calor, de perfumes, de sexo. Um pouco de luz do dia amanhecendo entrando pelas cortinas velhas. Aqueles pontinhos de poeira de luz que ela sempre tentava pegar com as mãos. As mãos delicadas, suaves. E depois sorria e dizia que há certas coisas no mundo que não se podem prender. Ela era uma delas.
A cama vazia e só resta a lembrança de uma noite perfeita acompanhada da pessoa perfeita. Noite de chuva de estrelas, lua enorme no céu. Noite de conversas sobre tudo e sobre nada. Noite de beijos, de toques, de carícias. Noite de meios sorrisos e gargalhadas. Noites de abraços quentes, de pernas entrelaçadas. Das melhores noites que poderiam existir. A música tocando baixinho nos fones do ipod velho, às vezes sendo cantarolada por ela. Seguindo de risos e de comentários irônicos de “como eu canto bem!”. E sim, ela canta bem. E o cheiro do perfume que só na pele dela cheira assim. Meio pêssego, meio jasmim. Completamente e unicamente dela. Os pelinhos arrepiados na nuca quando suavemente passava meus lábios nela. A covinha que aparecia somente de um lado quando devagar sorria. Os cabelos castanhos e bagunçados que ela nunca gostou de pentear e que ficavam sempre bem assim nela. As palavras doces pronunciadas pela boca quando não beijava. E quando beijava o doce frio na barriga de quero-mais que se formava aos poucos na minha. Sussurros nos ouvidos, devagar, suave, baixinho, como se ninguém mais pudesse ouvir. E não havia mais ninguém ali, a não ser ela e eu. E a cama, que agora está vazia.
A porta abriu e fechou, antes mesmo de eu acordar. Não a vi indo embora, não a vi sorrindo nem recusando ao meu pedido/suplício de “fica-mais-um-pouco-por-favor”. Não a vi colocando a roupa que na noite anterior estava toda jogada pelo quarto escuro. Não a vi colocando os óculos de sol porque estava claro demais lá fora. Não a vi se despedindo de mim e nem a ouvi dizer que “a noite foi ótima, vamos marcar um drink para amanha?”. Não ouvi sair da boca dela as palavras que constantemente saem da minha quando estou com ela. Não a vi indo embora para não voltar mais.
Ainda há estampado um sorriso no meu rosto. Mas a cama sente falta do seu calor. E eu também.




p.s: i swear this will never be ok. it´s like we came from the same place.