08 dezembro 2014

aqui estamos


Então aqui estamos. Ensaio e erro. As palavras gastas que já não dizem tanto quanto antes. Você pergunta, eu calo. Eu pergunto, você cala. Tentando aproximar mas errando o tempo. Sua mão solta quando a minha quer segurar. Preto e branco. Somente de acordo em desacordar.
Então, aqui continuamos. Frente a frente. Espelho meu tão diferente. Tentando entender que somos isto, tons de cinza. Digo em voz alta meus pensamentos. Você apenas sorri. E não é tão claro decidir assim para onde ir, se ficar ou fugir, deixar ir ou correr atrás. Não é tão fácil entender o que somos agora.
Então, aqui seguiremos. Lado a lado. Um passo meu, caminho seu. Sem dizer nada continuamos. Não há mais esperança para nós. Seguimos enfim, errando o passo, errando o tempo. Desconheço a mão que seguro, surda a palavras que já não fazem mais sentido, muda para dizer aquilo que já não sinto. E não é fácil então agora decidir o que ser ou para onde ir. Eu ainda me encontro nas coisas que pensávamos, mas não me vejo mais no seu pensamento. E não é fácil entender o que somos agora.


p.s: so this is it...

25 agosto 2014

eu sei


Eu sei o que você me disse, eu sei que já acabou, e eu sei que eu não devo continuar ligando, mas cada vez que eu encontro com você eu fico caindo. Eu sei que você me odeia quando você quer brigar, eu sei que você me ama quando se sente só, e eu sei que você só vai ligar quando você precisar, mas cada vez que eu encontro com você eu aceito a condição. Eu sei que você não volta, eu sei que você não quer, e eu sei que se eu insistir só vai afastar mais, mas cada vez que eu encontro com você eu quero mais. Eu sei que se você ficar não vai ser por mim, eu sei que se você ligar não é para mim, e eu sei que não há ninguém no mundo que te faça sentir como eu, mas cada vez que eu encontro com você eu quero ficar. Eu sei que não deveria, mas ainda te espero em cada esquina.



p.s: just every time i run i keep on falling on you

13 agosto 2014

entende



Ninguém entende. Ninguém entende. Você não entende. É isto gosmento, nojento, que gruda em mim. Esta solidão podre, azeda, hedionda que não deixa passar o perfume das flores, a cor do arco-íris, o som das risadas, a vontade... Não, você ainda não entende. Ninguém entende. É esta angústia das horas vazias, dos dias longos, das semanas sem graça, dos meses iguais... Igual, tudo igual, nada muda, nada floresce, nada nasce, nada nada nada... E você ainda não entende, ninguém entende. É esta sensação de não sentir, sensação de não existir, sensação de não residir, sensação de não, simplesmente não. Mas não, você não entende, ninguém entende. A vida segue o seu rumo, o sol ainda aparece todas as manhãs, alguns pássaros ainda cantam, o vento ainda venta, as ondas no mar ainda se levantam e arrebentam na beira da praia onde um dia, um dia, você prometeu promessas irrealizáveis, contou histórias errôneas sobre você, sobre mim. Você não entende, ninguém entende. É algo mais profundo do que se enxerga, bem no fundo fundo fundo d´alma. A alma é o que ninguém vê, aquilo que ninguém entende.



p.s: and despite everything i´m still human 

31 dezembro 2013

2014



Venha, mas venha devagar e mansinho. Nada de vir como um tornado, arrebentando com tudo que encontrar pela frente. Venha, e traga com você o amor que couber, a paz que puder, harmonia sempre é bem vinda também. Venha, e leve embora tudo isto seco, corroído, sujo que ficou para trás. Leve embora e não deixe mais voltar a tristeza, a dor, a fome, agonia... Faça-me matar as saudades que hoje me matam, amar de perto, juntinho, do lado. Venha, e diminua as distâncias físicas e emocionais. Venha doce, venha feliz, venha colorido. Venha, e traz coragem para os que temos pouca. Traz sorrisos, gargalhadas, amigos. Leve embora quem não queira ficar, traz quem quer permanecer. Venha, e deixa aqui as boas lembranças, leva embora o azar. Venha, e venha sim com muita esperança que isso falta, faltou e precisaremos. Venha, e que venha com você a vontade e a , a confiança e carinho. Venha, e seja leve, sem grandes pesos, sem grandes ausências, sem grandes dores. Venha, mas venha com cuidado, alguns corações já foram quebrados e precisam reparo. Venha feito mago, para tirar tudo o ruim assim, como por arte de mágica. Venha, e fique os 365 dias que durar. E que sejam todos eles tranquilos, suaves, leves... Venha, que esperamos aqui um novo tempo, um tempo bom, um tempo melhor. Então venha.



p.s: we go over and over and over and over again

30 dezembro 2013

se eu te amo


Se eu te amo é porque és aquilo que eu sempre procurei. Se eu te amo é porque tu me completas e me "descompletas" completamente. Se eu te amo é porque teus olhos me atraem. Se eu te amo é porque teu corpo encaixa no meu, como peça de quebra-cabeça. Se eu te amo é porque teu riso me faz sorrir. Se eu te amo é porque minhas mãos procuram as tuas para segurar. Se eu te amo é porque tuas pernas se entrelaçam nas minhas como se fosse assim que tem que ser para sempre. Se eu te amo é porque me fazes pensar num futuro. Se eu te amo é porque me fazes ter força para seguir em frente. Se eu te amo é porque contigo ao meu lado planejo uma casa, uma família, um lar. Se eu te amo é porque tua voz me acalma. Se eu te amo é porque és tu com quero ficar hoje, amanhã, depois e depois. Se eu te amo é porque eu te amo, e nada mais importa, só isso.


p.s: and we´ll be us, and there´s no one else

18 dezembro 2013

fio




Sabes? Não quero mais. Eu cansei de inventar desculpas pelas quais chorei. Eu chorei sim, e choro, não sou tão forte assim. E eu chorei desta vez, não por um filme triste, nem por uma foto de um cachorrinho em péssimas condições, nem por um livro emocionante, nem mesmo por lembrar da minha bisavó. Chorei porque encontrei um fio de cabelo teu ainda no meu travesseiro.  E fiquei lembrando de ti, e da saudade, e do tempo que faz desde a última vez que a gente se viu. Fiquei lembrando do teu cabelo bagunçado nas manhãs. Lembrei do teu riso e do teu rosto quando dormes. Sabes? Eu passei algumas noites em claro só velando teu sono. Acho que nem sabes que contei as pintas nas tuas costas e ombros, nem sabes que sei de cor cada cicatriz do teu corpo.  Então, como ia dizendo, encontrei um fio de cabelo teu no meu travesseiro. E chorei. Só por isso chorei. Pensei em ti. Pensei no que poderias estar fazendo. Pensei no que poderias pensar. Pensei com quem poderias estar. E de repente, minha garganta fechou, como faz tempo não o fazia, e o peito apertou, como faz muito tempo não acontecia. E começaram devagar a escorrer lágrimas pelo meu rosto. Lágrimas salgadas, lágrimas de saudade, de amor. E fui ficando assim, toda encolhida, deitada na cama, minha cabeça deitada no travesseiro onde ainda se encontrava o fio do teu cabelo. E chorando lembrei que eu tinha prometido a mim mesma nunca mais chorar por ninguém. Como é fácil quebrar promessas! Fiquei ali deitada, encolhida na cama e a cabeça no travesseiro, olhando a única coisa tua que ficou comigo durante um tempo. Talvez foram dias, meses, minutos ou segundos, não sei, às vezes quando fico pensando em ti, perco o sentido do tempo. Não sei nem mesmo quanto tempo se passou desde a última vez que a gente se viu. Foram meses? Anos? Semanas? Dias? Horas? O tempo simplesmente passa e vai levando cada vez mais a tua presença da minha vida. E este fio de cabelo teu que ainda se encontrava no meu travesseiro me fez pensar na saudade, no amor, na solidão. Quanto tempo se passou? A verdade é que agora não sei nem sequer se o fio de cabelo é teu, se a saudade é tua, se o amor......




p.s: your hair upon the pillow like a sleepy golden storm

10 setembro 2013

apenas



Às vezes bate uma saudade. Uma saudade tão forte, daquelas que aperta o coração, que sufoca a alma, que fere o mais íntimo do mais íntimo do íntimo. Uma saudade da sua mão na minha, dos seus dedos enrolados no meu cabelo, das suas pernas entrelaçadas nas minhas. Uma saudade das noites, dos dias, das madrugadas e do pôr-do-sol...
Às vezes bate esta saudade que machuca, sabe? Machuca, magoa, espanca, violenta, fere, dói. Uma saudade crua, bruta, fria... inconsolável.
Às vezes é saudade de ti, às vezes de mim, às vezes de nós. Às vezes é apenas saudade.
Mas às vezes, às vezes, é apenas solidão.



p.s:  you're so lonely, so lonely

20 maio 2013

under the sheets




Her smell on my bed, impregnating the sheets, the memory of nights awake, the touch, the kiss, "do not ever go away from here," warming the left side of the bed and the heart as well, separates insecurity from will, leaving here only the colors, strip away the blacks and grays, take away the pain and sorrow, the delicacy of words, the beauty of the smile, let it be like this, i´ll go to sleep now, don´t ever want to wake up, this is how I wanna be.


p.s: and the heart is dumb and the heart is blind

12 março 2013

outro alguém




Ela dorme. Deitada aqui ao meu lado posso escutar sua respiração suave, devagar. Inspira. Expira. Se me mexo posso estragar toda essa paz. Respiro suave para não acordá-la. Ela se aconchega nua cada vez mais sobre meu corpo também nu. Há tanta tranqüilidade e inquietude neste momento. Não quero deixá-la. Não quero ir embora. Não quero me arrepender.  Se ela acordar agora tudo será mais complicado, ela não pode saber. Como tudo foi ficar assim, tão difícil e intenso? Olho para ela com ternura, porém a odeio. Odeio como me deixa tão confusa. Eu tenho que ir embora. Será que posso? Que consigo? Ela dorme e no sonho me abraça cada vez mais. Será que ela sabe que há outra vida lá fora? Que há outro alguém? Será que poderá me perdoar? Me perdoa, minha linda, mas tenho que partir. A doçura da noite fica impregnada no meu corpo. Será que tenho o perfume dela em mim? Preciso ir embora e nunca mais voltar. Desta vez é sério. Não volto, não posso. “Me perdoa, mas conheci outro alguém que agora tem meu coração.” O que posso dizer? Me perdoa, sou viciada na pele, no cheiro, no toque, no perfume dela. Não consigo evitar. Não consigo dizer não. Ela me olha, eu derreto. Sua respiração no meu pescoço me convida a ficar aqui, assim, para sempre. Não posso, não devo. Há outros braços que esperam o abraço. Não acorda, minha linda, que não quero me despedir. Não acorda, fica assim, sonhando com o impossível. Eu vou e não volto. Adeus, meu coração.


p.s: There's so much I need to say to you, so many reasons why

20 fevereiro 2013

às vezes




Às vezes dá uma saudade de abrir os olhos pela manhã e você ser a primeira imagem que eles vêem. E suas pernas, o toque mais suave nas minhas. 
Às vezes dá uma saudade, sabe? 
Às vezes.



p.s:  everybody hurts... sometimes